Eu paro por aqui
Quem freqüenta este espaço percebeu que desde a semana passada não publiquei novos textos, nem aprovei comentários. Foi uma semana de muita reflexão. Por várias razões, resolvi encerrar a minha atividade blogueira. Não vale a pena tecer comentários ou dar muitas explicações. A Internet é uma das ferramentas mais extraordinárias já concebidas pelo homem. É, ao mesmo tempo, fascinante e selvagem. Espero um dia voltar a me comunicar através dela. Agradeço muito o espaço e o apoio de toda equipe do
globoesporte.com. Muito obrigado também a todos os que visitaram, leram, comentaram. Até qualquer hora.
Postado por Milton Leite em 08/02/2007
Notas sobre goleadores

Ok, todo mundo tem direito a procurar uma situação melhor de trabalho e todos os contratos têm lá uma multa de rescisão exatamente para quando uma das partes estiver insatisfeita. Mas confesso que me incomoda muito uma despedida como essa do Christian do Corinthians para o Internacional. Por várias razões: primeiro porque o jogador já estava fora do mercado dos principais clubes e ganhou uma oportunidade que, talvez, nem ele mesmo sonhasse. Fez pré-temporada, declarações de que gostaria de passar um bom tempo em São Paulo, começou a fazer gols, a ganhar o carinho da torcida... E um mês e pouco depois diz que vai embora. Como fica o torcedor que comprou a camisa 19, com o nome dele atrás, empolgado com os cinco gols em cinco rodadas do Paulistão? Mas esta é só uma das questões, menor até. Christian não fez nada ilegal, mas sua atitude, na minha opinião, é reprovável do ponto de vista ético.
Considero, da mesma forma, pouco elegante a atitude do Internacional, que mesmo tendo Christian ali ao lado durante todo o ano passado, em nenhum momento mostrou interesse em investir no seu ex-jogador. Esperou que ele começasse a fazer sucesso em São Paulo. Uma pena que aja assim um clube tão decantado pela sua organização e seriedade.
O episódio deixa claro também a que ponto chegou o Corinthians e seu descalabro administrativo, que não deve parar por aí, porque os pagamentos continuam atrasando, empréstimos não são pagos e os dirigentes continuam batendo cabeça. Quais serão os próximos a sair: Nilmar? Magrão? Amoroso? Roger? Não esqueçam de apagar a luz, por favor.
Ronaldo apresentou-se ao Milan e garantiu:”Minha história não acabou”. Tomara. A declaração deixa claro que o maior goleador da história das Copas do Mundo está consciente de que está em baixa e acaba de receber uma oportunidade de ouro num dos maiores clubes do mundo para encerrar com dignidade a sua carreira espetacular.
Se conseguir isso, sua contratação terá sido uma grande pechincha. Que Ronaldo volte a ser o grande artilheiro e ajude o Milan, que também vive situação ruim depois dos escândalos no futebol italiano no ano passado.
A Fifa acaba de autorizar Romário de jogar pelo Vasco. Curioso como a Fifa cria uma legislação e ela mesma não respeita e aprova todos os recursos que são apresentados. O de Romário é só mais um. Tem o de Jorge Vagner, o de Mascherano... E o Christian pode jogar? Mas esta é uma outra questão. Que Romário queira continuar jogando profissionalmente em busca do tal milésimo gol é um direito. Cada um faz o que quer da própria carreira e da própria história. É óbvio que ele já não pode ser objeto de desejo de uma equipe que queira disputar as competições para ganhar. No ano passado, enquanto Romário esteve no grupo, o time não andou. E tudo indica que voltará a ser assim. Repito: o sonho de Roma’rio é legítimo. No entanto um clube do tamanho do Vasco da Gama não pode basear o seu projeto de temporada na ambição individual de um jogador, por mais importante que ele tenha sido na história do clube e do futebol brasileiro.
Postado por Milton Leite em 02/02/2007
Guga, o obstinado

Gustavo Küerten não precisa de dinheiro. O que ganhou na carreira dá para ele e para as próximas gerações da família.
Guga não precisa provar nada e nem ganhar mais nada porque seu nome já está na história como o principal tenista masculino de todos os tempos, um dos melhores do mundo – estatura semelhante no feminino para Maria Ésther Bueno.
Não precisaria se expor ao julgamento de uma torcida cruel cada vez que entra em quadra.
Por que joga então o genial catarinense? Simplesmente porque tem prazer em jogar.
Há praticamente dois anos luta obstinadamente não para voltar ao topo, que ele sabe inatingível, mas para fazer o que gosta. Jogar tênis no circuito profissional. E mais uma vez dá um exemplo extraordinário, porque caminha na contramão de outros atletas que vão prorrogando o final de carreira apenas com o nome, tentando ganhar um dinheiro a mais, um recorde a mais, uma camisa de um clube famoso a mais...
Foram cirurgias, horas e mais horas de fisioterapia, trocas de técnicos, treino, treino e mais treino. Seria muito mais tranqüilo ficar numa das belas praias da Ilha de Santa Catarina, tomando sol, curtindo a vida, mas ele prefere continuar jogando e perdendo de atletas sem nenhum talento, sem ranking, sem passado e, provavelmente, sem futuro, na ânsia de voltar a vencer.
Guga se expõe, principalmente, à maledicência nacional. Porque o brasileiro médio não gosta de esporte, gosta de vitória. Quem não vence, tenha o passado que tiver, passa a ser motivo de piadas, chacotas, ironias.
O que Gustavo Küerten merece é reverência. Tivesse outra nacionalidade e viraria estátua em todas as cidades, pelo exemplo que sempre ofereceu, quando estava no topo ou agora, quando tenta mostrar que não se deve desistir nunca, mesmo com quase tudo contra. Deveria ser convidado a percorrer o país para motivar crianças para o esporte, para incentivar cidadãos para a vida.
Até isso no Brasil gostamos de desperdiçar. Todos os nossos grandes atletas, em todas as modalidades, estão afastados das confederações, dos governos, das decisões. Nenhum, com raríssimas exceções, tem explorado o prestígio e a popularidade para levar crianças para o esporte. Nenhum tem a chance de discutir políticas para o esporte. Paula, Hortência, Maria Helena, Oscar, Wlamir, Amaury, Joaquim Cruz, Róbson Caetano, Ricardo Prado, Gustavo Borges, William, Montanaro, Tande, Maurício, Marcelo Negrão, Fernanda Venturini, Isabel, Vera Mossa, Jaqueline, Aurélio Miguel, Maria Esthér Bueno... (só para citar alguns).
Campeões olímpicos, mundiais, tão raros neste país de Terceiro Mundo e tão pouco aproveitados quando saem das quadras. Que Guga não seja mais um. E que seja aproveitado enquanto está na mídia e na memória da torcida.
Postado por Milton Leite em 30/01/2007
Escala
Programação das minhas próximas transmissões:
quarta-feira, 21h45- Corinthians x São Caetano, com Maurício Noriega e Carlos Cereto (Premiere FC).
Quinta-feira, 20h30- Paulista x Rio Branco, com Maurício Noriega, Carlos Cereto e Marco Aurélio Souza (Sportv).
Domingo, 9h30- Fast Triatlo Feminino (Balneário Camboriú, SC) com Lauter Nogueira, dentro do
Esporte Espetacular - TV Globo .
Postado por Milton Leite em 29/01/2007
Maracanã, catedral do Brasil

Ainda hoje me lembro do deslumbramento que senti quando entrei pela primeira vez no então “maior estádio do mundo”. Eu tinha seis ou sete anos, minha família estava em férias no Rio e fomos assistir a um amistoso entre paulistas e cariocas (bons tempos em que o calendário permitia amistosos e as seleções estaduais se reuniam). Estavam em campo Pelé, Rivelino, Gérson, Paulo César Caju, Carlos Alberto Torres... Estádio lotado. Tem alguma coisa mais espetacular do que o Maracanã lotado?
Há muito tempo que ele não lota. E nem pode, porque está constantemente em obras e sempre tem alguma área interditada, quando não está inteiramente fechado.
O novo secretário estadual de esportes do Rio de Janeiro Eduardo Paes acaba de anunciar que mais uma reforma será feita no Maracanã, mesmo antes do final da anterior. Por isso, se você leu o título aí em cima como sinônimo de local sagrado, enganou-se. É sinônimo de obra infindável, que leva anos e mais anos – por mais sagrado que seja efetivamente para o futebol nacional.
Na minha opinião, este é um dos maiores escândalos brasileiros em termos de gasto inexplicável de recursos públicos (e pela quantidade de episódios envolvendo nosso rico dinheirinho, dá para imaginar do que se está falando). Li outro dia que o dinheiro gasto nas reformas que duram quase dez anos já ultrapassam em muito o que a Alemanha gastou para CONSTRUIR um estádio NOVO para a última do Copa do Mundo. Supera também o que a Coréia do Sul aplicou em uma ARENA NOVINHA para a Copa de 2002.
Alguma coisa está fora da ordem. No entanto, não se vê na mídia nacional o mesmo esforço despendido com as falcatruas de Brasília para tentar descobrir o que acontece no “Mário Filho”. Os números são impressos e falados como se fossem a coisa mais normal do mundo. Afinal para onde foi todo esse dinheiro?
* * *
E já que o assunto é estádio ainda bem que a CBF está mudando de idéia e já admite usar o Maracanã e o Morumbi na Copa do Mundo de 2014, se ela for mesmo no Brasil. Quando anunciou que o Mineirão estava garantido para o Mundial, o presidente da CBF deixou claro que os maiores estádios das duas principais capitais do País não tinham condições de utilização, por obsoletos. Mas fazer uma afirmação dessas a sete anos do evento e sem nenhum projeto apresentado com possíveis soluções parecia indicar apenas um desejo de construção de novas arenas. Ou São Paulo e Rio ficariam fora da Copa? E quem pagaria a conta de uma nova edificação, certamente muito mais cara? Podemos nos dar esse luxo?
Durante a última Copa da Alemanha, tive chance de transmitir um jogo no Estádio Olímpico de Berlim, que recebeu a Olimpíada de 36, 14 anos antes de o Maracanã ser concluído e utilizado na Copa. E, guardando sua arquitetura e principais símbolos originais, em nada ficou devendo às arenas feitas especialmente para o evento. Por que aqui não seria possível?
Postado por Milton Leite em 29/01/2007
Encruzilhada para Ronaldo

Nas próximas horas, sites, tvs e jornais do mundo inteiro mostrarão a imagem de Ronaldo vestindo a camisa do Milan, na mesma cidade em que recebeu o apelido de Fenômeno. Como mostrou o jornal
O Globo de hoje, numa transação muitos degraus abaixo da realizada quando deixou a Itália para ser mais um galáctico do Real Madrid.
Aos 30 anos, Ronaldo não precisa provar mais nada: seu nome está inscrito na história – uma pena que no Brasil muitos torcedores e até jornalistas prefiram fazer piadinhas sobre um momento ruim e parecem esquecer do goleador fantástico que ele sempre foi. Mas esta é uma outra questão. Neste momento, Ronaldo deve ter a sensibilidade que sempre teve para perceber os movimentos dos zagueiros e goleiros adversários para avaliar a encruzilhada que tem diante de si. O caminho a ser tomado vai indicar que final de carreira ele terá, em quatro ou cinco anos. E a escolha depende só dele.
Se escolher o caminho da obstinação, da dedicação, que norteou a sua fantástica recuperação antes da Copa de 2002, não tenho dúvida de que voltará a ser um dos melhores atacantes do mundo (talvez o melhor). Para isso precisará treinar, estar fisicamente bem, fazer sacrifícios aos quais todo atleta de alto rendimento está obrigado (esquecer as noitadas, evitar o cigarro e o álcool). Se o seu comportamento seguir os passos de antes da Copa de 2006, terá um final de carreira melancólico – o que não apagará os seus feitos, mas certamente só colocará como personagem principal de piadas, charges, brincadeiras de mau gosto. E o jogador que ele foi (e pode voltar a ser) não merece isso.
* * *
O mais incrível é como as pessoas esquecem rapidamente a história de um ídolo, inclusive aquelas (os jornalistas) que deveriam ter a obrigação de refrescar a cabeça dos torcedores movidos pela paixão. Outro dia, num programa de televisão, alguém disse que Ronaldo foi muito bem na seleção ao longo da sua carreira, mas que não tinha grandes passagens por clubes, à exceção do Barcelona. Essa é uma daquelas afirmações que as pessoas saem repetindo e até virar verdade. O fato é que só na última fase de Real as coisas não andaram bem. Talvez enfastiado pela rotina de treinos, jogos, concentrações, aeroportos... Jovem, rico, famoso parece ter preferido aproveitar a vida.
Vale recordar: Ronaldo, ainda menino, foi excepcional ao aparecer nacionalmente no Cruzeiro. Ainda hoje é reverenciado pelo que fez na Holanda. Foi genial e deslumbrou o mundo quando jogou pelo Barcelona. No primeiro ano de Itália, foi vice-artilheiro do campeonato a ainda ganhou o apelido de “Fenômeno” na imprensa. Aí se contundiu e ficou praticamente duas temporadas sem jogar para ressurgir na Copa de 2002, depois de quase todos dizerem que estava acabado para o futebol (inclusive médicos).
E mesmo os seus primeiros anos de Real foram bons. Mas de uns tempos para cá, quem foi bem no Real? Claro que no caso específico do brasileiro, ele tem mais culpa do que o clube. No entanto, não se pode ignorar a carreira de um goleador como Ronaldo por causa dos dois ou três últimos anos. E depende só dele voltar a ser Fenômeno.
Postado por Milton Leite em 26/01/2007
Escala
Neste final de semana, estarei em duas transmissões do Campeonato Paulista:
sábado: Corinthians x Ituano (18h10 - Premiere FC); e
domingo: Santos x Guaratinguetá (18h10 - Sportv).
Houve uma mudança de escala nesta quinta-feira e não estarei mais na transmissão de Bragantino x Santos, substituído pelo grande Jota Jr.
Postado por Milton Leite em 24/01/2007
Paulistão pode enganar

Nos últimos anos foi muito comum nós, jornalistas, alertarmos os torcedores de times cariocas para a falsa boa impressão que a competição estadual proporcionava. O mesmo valia para o Mineiro e o Gaúcho. E por que? Porque os times chamados “pequenos” eram tão fracos (e continuam sendo) que arrebentar na competição local não queria dizer muita coisa.
Não tenho como acompanhar os outros campeonatos estaduais, mas depois de duas rodadas do Paulistão e tendo visto jogar seis ou sete dos “pequenos” para mim está claro que a falsa impressão, neste ano, pode se aplicar aos clubes do estado também. O Corinthians ganhou duas, lidera e tem o melhor ataque. O Palmeiras venceu duas seguidas. Dá para se animar? Ganhar sempre é bom, mas nada de empolgação. Os jogos até aqui estão muito longe de terem sido testes que devam ser elevados em consideração.
O mesmo vale para o Santos, três vitórias consecutivas. A equipe continua sendo tecnicamente tão mediana quanto era no ano passado. Sem mais um ou dois jogadores que desequilibrem vai ser difícil conseguir mais do que em 2006. O São Paulo tem um bom elenco, mas mesmo neste caso é difícil avaliar se a saída de três peças fundamentais da equipe titular será suprida a altura pelos recém-contratados.
Ninguém se iluda: o Campeonato Paulista não serve como parâmetro.
Postado por Milton Leite em 23/01/2007
A seleção de Dunga

Ainda não me arrisco a fazer comentários sobre o trabalho de Dunga como técnico da seleção brasileira. No máximo, pode-se analisar o “convocador” Dunga. Ah! Dunga ganhou cinco em seis amistosos na seleção no ano passado. Mas qualquer um que estivesse lá ganharia os mesmos jogos. Também se pode avaliar o discurso nas entrevistas coletivas, mas como falação com a imprensa não ganha jogo, nem entrarei em detalhe sobre as contradições que ele comete quando fala, nem sobre as frases feitas para agradar as arquibancadas.
Acredito que o técnico de campo só poderá ser analisado mesmo na Copa América, quando terá tempo para treinar de fato o time.
Ao convocar os 22 que vão disputar o amistoso contra Portugal, Dunga parece ter deixado claro que já tem uma base para a Copa América e para começar as eliminatórias. E nesta base, algumas coisas não me agradam. Alguns jogadores que têm sido presença constante nas convocações, na minha opinião, não têm bola suficiente para vestir a camisa mais importante do futebol mundial: Dudu Cearense, Adriano, Maicon, Helton... E tenho dúvidas, inclusive, em relação a Daniel Alves, mas acredito que ele pode ser mais testado, até porque nesta posição a carência é maior.
E Adriano ainda não fez o suficiente para justificar a volta ao time nacional.
Postado por Milton Leite em 23/01/2007
Escala
Semana repleta de trabalho no Sportv:
terça, 16 horas: Cruzeiro x São Bernardo (Copa São Paulo - Sportv);
quarta-feira, 20 horas: São Caetano x Ponte Preta (Paulistão - Sportv);
quinta-feira, 10 horas: Final da Copa São Paulo - São Paulo x Cruzeiro (Sportv).
Postado por Milton Leite em 23/01/2007